FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS PARA ATUAÇÃO NAS ESCOLAS DO CAMPO: RELAÇÃO FORMAÇÃO E PRÁTICA PEDAGÓGICA

Raimunda Alves Melo, Carlito Pereira Macedo Pereira Macedo

Resumo


Neste estudo, tem-se como objetivo geral, analisar o perfil formativo dos professores de Ciências Naturais no município de Juazeiro do Piauí e sua relação com a prática pedagógica. Especificamente, objetiva-se conhecer o perfil formativos dos professores de Ciências que atuam nos anos finais do Ensino Fundamental; identificar as concepções dos professores sobre a formação inicial e continuada e averiguar desafios da prática pedagógica e sua relação com os processos formativos. A produção dos dados foi realizada através da aplicação de questionário com 5 (cinco) professores de Ciências Naturais e uma entrevista com a Secretária Municipal de Educação do referido município. A análise aponta que a formação dos professores de Ciências para atuação nos anos finais do Ensino Fundamental, sobretudo nas escolas do campo, continua sendo um grande desafio para o município, pois apenas 60% dos docentes são formados em Biologia ou em Ciências da Natureza. Todos os docentes pesquisados reconhecem a importância da formação inicial e continuada para o exercício da profissão, bem como, afirmam que esses processos formativos precisam ser específicos, contextualizados, fundamentados em princípios como relação teoria e prática e na realidade dos estudantes. A pesquisa apontou ainda, que a formação de professores pode contribuir significativamente para a prática pedagógica, mas é preciso avançar mais, garantindo o estudo da realidade histórico-social do campo e que o seu conteúdo e metodologia sejam contextualizados com a cultura e as necessidades do campo.

Palavras-chave


Formação inicial de professores. Formação continuada de professores. Ensino de Ciências. Escola do campo.

Referências


ARROYO, M. Política de formação de educadores(as) do campo. Cadernos Cedes, Campinas, v. 27, n. 72, p. 157-176, maio/ago. 2007. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0101-32622007000200004. Acesso em: 18 ago. 2018.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1979.

CONFERÊNCIA NACIONAL POR UMA EDUCAÇÃO DO CAMPO. 2., 2004, Luziânia. Declaração final: por uma política pública de educação do campo. Luziânia, 2004. Disponível em: www.nead.org.br/download.php?form=.doc&id=271 . Acesso em: 15 set. 2018.

BRASIL. Decreto n. 6.755, de 29 de janeiro de 2009. Institui a política nacional de formação de profissionais do magistério da Educação Básica, disciplina a atuação da coordenação de aperfeiçoamento de pessoal de nível superior. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Seção 1, p. 1, 30 jan. 2009.

BRASIL. Diretrizes Operacionais para a Educação do Campo. Brasília, DF: MEC; SECAD, 2002.

BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: censo demográfico - 2010. Rio de Janeiro, 2010. Disponível em: www.ibge.gov.br. Acesso em: 24 jan. 2019.

BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 24 dez. 1996. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/ pdf/tvescola/leis/lein9394.pdf . Acesso em: 27 out. 2016.

BRASIL. Lei n. 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 26 jun. 2014. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20112014/2014/lei/l13005.htm. Acesso em: 23 jan. 2019.

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária - PRONERA: Manual de Operações. Brasília, DF: INCRA, 2011.

BRASIL. Proposta de um Plano Nacional de Formação dos Profissionais da Educação do Campo. Brasília, DF: Comissão de Formação do Grupo Permanente de Trabalho da Educação do Campo; MEC, jun. 2006.

CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Câmara de Educação Básica. Resolução CNE/CEB n. 1, de 3 de abril de 2002. Diretrizes Operacionais para Educação Básica das Escolas de Campo. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Seção 1, p. 32, 9 abr. 2002.

CRUZ NETO, O. O trabalho de campo como descoberta e criação. In: MINAYO, M. C. S. (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 18. ed. Petrópolis: Vozes, 2007.

FORMOSINHO, J. Formação de professores: aprendizagem profissional e ação docente. Porto: Porto, 2009.

FRANCO, M. A. S. Práticas pedagógicas nas múltiplas redes sociais. In: LIBÂNEO, J. C.; ALVES, N. (org.). Doze temas da pedagogia: as contribuições do pensamento em currículo e em didática. São Paulo: Cortez, 2012. p. 169-189.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014.

GARCÍA, C. M. Formação de professores: para uma mudança educativa. Porto: Porto, 1999.

IMBERNÓN, F. Formação continuada de professores. Trad. Juliana dos Santos Padilha. Porto Alegre: Artmed, 2010.

JUAZEIRO DO PIAUÍ. Secretaria Municipal de Educação e Cultura. Plano Municipal de Educação. Juazeiro do Piauí, PI: SEMEC, 2015.

JUAZEIRO DO PIAUÍ. Secretaria Municipal de Educação e Cultura. Relatório do Plano Municipal de Educação. Juazeiro do Piauí, 2018.

LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão escolar: teoria e prática. 5. ed. Goiânia: Alternativa, 2004.

LIMA, E. S.; MELO, K. R. A. Educação do campo: reflexões políticas e teórico-metodológicas. Teresina: EDUFPI, 2016.

LIMA, M. G. S. B. Autobiografias de professores e formação: releitura de uma tese. In: MENDES SOBRINHO, J. A. C.; LIMA, M. G. S. B. (org.). Formação, prática pedagógica e pesquisa em educação: retratos e relatos. Teresina: EDUFPI, 2011. p. 33-53.

MELO, R. A. Prática docente na escola do campo: diálogos sobre a articulação dos conhecimentos escolares aos saberes da cultura camponesa. 2014. 163 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal do Piauí, Teresina, 2014.

MENDES SOBRINHO, J. A. Ensino de ciências naturais: saberes e práticas docentes. Teresina: EDUFPI, 2005.

MENEZES, L. C. (org.). Formação continuada de professores de ciências no contexto ibero-americano. Campinas: Autores Associados: NUPES, 1996.

MINAYO, M. C. S. Ciência, técnica e arte: o desafio da pesquisa social. In: MINAYO, M. C. S. (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 18. ed. Petrópolis: Vozes, 2007.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno. Resolução CNE/CP n. 2. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Seção 1, p. 8-12, 2 jul. 2015.

MOLINA, M. C. Residência Agrária: concepções e estratégias. In: MOLINA, M. C. et al. (org.). Educação do campo e formação profissional: a experiência do Programa Residência Agrária. Brasília, DF: MDA, 2009. p. 17-28.

OBSERVATÓRIO. O PNE. [S.l.], 2017. Disponível em: http://www.observatoriodopne.org.br/metas-pne/15-formacao-professores/indicadores#porcentagem-de-professores-da-educacao-basica-com-curso-superior. Acesso em: 10 out. 2017.

PIMENTA, S. G. Formação de professores: saberes da docência e identidade do professor. Nuances, São Paulo, v. 3, p. 5-14, set. 1997.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ. Proposta Pedagógica do Curso de Licenciatura em Educação do Campo/Ciências da Natureza. Teresina, 2013. 86 p.





CAMINE: Cam. Educ. = CAMINE: Ways Educ., Franca, SP, Brasil - eISSN 2175-4217 - está licenciada sob Licença Creative Commons